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Estrela Vermelha

Publicado em 02/12/12

O assunto poderia ser político como a Estrela Vermelha, um pentagrama do comunismo ou do socialismo, não haveria como não citar Karl Marx ou Friedrich Engels, mas a verdade é que o papo é sobre futebol, esse esporte bretão que, segundo Milton Neves, é “apenas o assunto mais importante entre os menos importantes”. No entanto, não seria o ludopédio um tema político? Veja o caso do nosso Esporte Clube Noroeste, há meses poucos, falava-se em seu fim, em trem fora dos trilhos, que não sobreviveria, agora bicampeão da Copa Paulista! 

Na iminência das eleições para presidente do Norusca, cinco, cinco, como as pontas da estrela, cinco chapas candidataram-se para liderar nosso trem bala!

A camisa vermelha de Xandu, Irineu Pé-de-Boi, Zeola, Lorico, Lela, São João Marcos, Baroninho está em alta, o título conquistado pelo Norusca lavou nossa alma, enquanto Bauru estava na nona posição dos Jogos Abertos do Interior atrás de Americana e Pindamonhangaba, o Esporte Clube Noroeste era visto em rede nacional conquistando um título! Chico Dias não sabia se gritava, ficava pelado ou tomava mais uma, Vanderlei “Delei” Valério sonhava numa final da Copa do Brasil de 2013 contra o seu Santos de Neymar Jr, e ficava na dúvida para quem torcer; João Jabbour não sabia se fazia o editorial do Segunda-Feira falando do Norusca, Eduardo Mauad gritava que era tri, Libertadores e o bi do Vermelhinho, Claudinho do Queijo pensava em inventar o produto do leite na cor vermelha; Leonardo de Brito, cumprimentado Em Confiança pelo país todo, ostentava o manto Ah! Eu sou Norusca! 

Samuel Ferro gritava aos quatro cantos de Agudos: Noruscaaaaaaaa! João Carlos Amaral pensava em fazer a festa do Vermelho e Branco, Pavanello refletia por que vale a pena ter a Sangue Rubro, Marcão “Music Sound” queria somente vender cds com o hino do alvirrubro, eu chorava em São José dos Campos e perguntava aos joseenses quando haviam gritado é campeão no futebol, vinguei o basquete!

A verdade é que o Esporte Clube Noroeste tem camisa, o bauruense precisa de uma vez por todas ostentar este manto, precisa levar os filhos, os netos, os vizinhos ao Alfredão, precisa comprar acessórios, mostrar que não importa a divisão, o que importa é o Norusca!

Espero que o novo presidente saiba da grandeza deste time e que o faça cada vez maior, que monte uma equipe, com aquele velho sistema: um goleiro, um becão, um meia e um matador. O técnico? Sugiro Luís Carlos Martins. Plano B? Sérgio Soares! 

Urge rapidez, pois há necessidade de todas as forças da cidade para voltarmos à elite paulista e continuar no cenário nacional! Porque este Esporte Clube Noroeste tem Estrela e tão viva, tão política, tão comunitária quanto a Vermelha! Avante, Noroeste! 

SINUHE DANIEL PRETO, mas poderia ser vermelho e branco!

Sujeito a alterações!

Publicado em 15/03/12

A aluna pergunta ao professor qual é o sujeito da frase: “É proibido estacionar” e responde antes do mestre: “Sujeito a guincho!”


Na verdade, trata-se de um sujeito oracional, a forma verbal “estacionar” é o sujeito da frase, mas a pergunta que fica na dúvida existencial e não gramatical é: somos sujeitos de nossas ações? Até quando agiremos como objetos pensando sermos sujeitos? 

Entra e sai ano e prometemos mudar nossas ações, digo isso somente agora porque dizem que o ano no Brasil começa depois do carnaval! No entanto, quando acordaremos para o hoje, para a conscientização de que devemos e podemos mudar nossas atitudes e, consequentemente, nossa cidade?

O publicitário Nizan Guanaes escreveu na Folha de São Paulo que não conseguimos mudar nossos hábitos e citou a maneira como calçamos nossas meias. Segundo o gênio da terra de Ruy Barbosa, começamos a calçar as meias sempre pelo mesmo pé e se tentarmos mudar isso não dura dois dias a alteração.

Parece fácil a mudança, mas pergunte a quem tenta parar de fumar, fazer regime ou tentar economizar? A mesmice e a aceitação parecem inclusas em nosso ser, a mulher muda o cabelo, mas não muda a cabeça, o homem muda os óculos sem mudar a visão!

Pensemos em termos desta Sem Limites, que teima em sobreviver. Por onde anda a Faculdade de Medicina? Como trafegar na avenida Rodrigues Alves? O que fazer com o Sambódromo durante o ano, que tal feiras noturnas, as chamadas feiras da lua?

Por que não colocarmos cultura em nosso terminal rodoviário? Se há tantos “agentes da multa” espalhados pela cidade, por que não agentes culturais?

E a estação ferroviária? E o prédio do Maksoud, e o Hospital de Base sem base, baseado em falcatruas?

E os estádios distritais em péssimo estado? E a água do DAE que nem batendo em pedra dura fura, aliás, somente fura os bolsos do bauruense!

Precisamos mudar nossas atitudes, seja em relação ao voto deste ano, seja em respeito ao motorista vizinho, ao mato que cresce ao nosso lado, seja na fila interminável do pão ou das promessas, seja na mania de falar mal de nossa cidade, seja no fato de não mudarmos de Bauru, mas mudarmos Bauru!

Parafraseemos Camões e sejamos um sujeito a alterações: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança. Muda, Bauru, ou cale-se muda!”

SINUHE DANIEL PRETO

Os filhos da mãe Beneficência Portuguesa

Publicado em 19/02/12

A pergunta é inevitável: “Onde você nasceu?” A resposta é a de que a origem é um topônimo, uma cidade, um logradouro! Nasci em Bauru, com muito orgulho, costumo afirmar que não sou bauruense, sou bauruísta! Amo esta Sem Limites de sonhos e medonhos! Orgulho-me de ter nascido no Hospital Beneficência Portuguesa e, por muito tempo, vi aquele prédio abandonar-se, ser um marco histórico, mas tão somente retórico nas artérias da Gustavo Maciel e Rio Branco, lados, cercos laterais do nosocômio!


A palavra “Silêncio” exposta ou imposta em regiões hospitalares nos reprimem as opiniões sobre tratamentos e pessoas, não necessariamente, nessa ordem! Hospital, por incrível que pareça, é da família de hospedar, hóspede, hospitaleira! Sempre achei hospital um lugar tétrico e pessoas de branco que por lá circulam conotam anjos e, consequentemente, a morte! Geralmente, quando passo por um hospital, faço o sinal da cruz, meus filhos me indagam o por quê e digo-lhes que Deus, somente Deus, pode olhar pelos enfermos!

No entanto, os anjos que estão na bela película Cidade dos Anjos existem e têm nomes e podem ser vistos na Beneficência Portuguesa de Bauru. Proferi, no ano passado, uma palestra nesse hospital e, para minha surpresa, as pessoas sorriem. São humanas, conseguem ser pacientes ou pacienciosas com os pacientes! Patch Adams gostaria de conhecer a Beneficência Portuguesa. Ele riria com o hospital e seus seres ávidos pela cura! Em 1996, meu filho mais velho veio ao mundo pelas mãos santas de Marcos Cabelo dos Santos na Beneficência. Orgulho dobrado, pois também nasci neste hospital, consegui ser feliz num hospital, sorri chorando num hospital! Em tempos caóticos da saúde em Bauru, falcatruas, corrupções, planos de saúde abusivos, apagões, a Beneficência volta a instalar uma maternidade,. Que notícia ótima. Isso deveria desfilar no Sambódromo, Unidos da Beneficência, a Benê virou samba-enredo: Fez-se a Luz ou Faz-se à Luz!

Criança, substantivo sobrecomum, será mais comum sobre Bauru, graças à Beneficência! Adriano Sávio Gonfiantini, aluno daqueles que sentimos um misto de saudade e orgulho, consegue mais uma vitória! Que venha nossa faculdade de medicina; que a dor vire amor; que os enfermeiros não tenham pacientes; que os planos, se fossem bons, não teriam esse nome, virem soluções; que as consultas virem encontros; que os doutores sejam os anjos enviados por Deus!

A Sociedade Beneficência Portuguesa de Adriano Sávio e seus fiéis humanos fazem do hospital um hotel. Não que queiramos nos hospedar, mas, caso necessitemos, temos um ombro amigo, um laço que virou abraço, um sujeito que virou respeito, um ser que sabe ser ser. Carl Gustav Jung disse: “Não é o diploma médico, mas a qualidade humana, o decisivo!” Por isso, comparte-se e reparte-se. Elogios à parte, Benê, que a vida seja um parto!

SINUHE DANIEL PRETO

O Noroeste e o Barcelona!

Publicado em 29/04/12

Na última terça-feira, Tavinho quis rasgar sua pseudocamisa do Barcelona, seu time de pseudocoração foi eliminado pelo Chelsea! Tavinho é daqueles inúmeros brasucas “paga-pau” de times estrangeiros! Tavinho mora em Bauru, cidade do sanduíche, da Eny, da Estrada de Ferro, mas recusa-se a torcer para um time da segunda divisão, um tal de Esporte Clube Noroeste! O pior é que Tavinho usa dia sim, dia não, uma camisa do argentino, isso mesmo, argentino. Messi, pra ele “a Pulga”, é melhor que um tal de Edson Arantes do Nascimento, cujo nascimento foi em Três Corações, mas cujos crescimento e aparecimento foram em Bauru, o tal de Edson que se metamorfoseou Pelé, foi um dia Gasolina com o manto do Esporte Clube Noroeste! Um filho do tal do Seu Dondinho que jogou no Norusca! Fico a imaginar se é possível um argentino usar a penta camisa brasileira do Neymar, se é possível um hermano reverenciar o futebol mais campeão do mundo! Não é possível, nunca, nunca, acontecerá isso!


Na nossa Bauru, é perfeitamente possível encontrarmos, seja nos jogos do nosso único e diferenciado futebol profissional amador, seja em clubes, camisas dos times estrangeiros, ou times da moda, como foram São Caetano, Guarani, Atlético Paranaense ou Flamengo! O bauruense é, antes de tudo, um camaleão! O noroestino é noroestino quando sabe o que é ser Noroeste! É para raros, é para Pavanello, Léo de Brito, Amaral do JC, Jabbour, Delei Valério, Eduardo Mauad, Toninho Gimenez, Jorge Campos, Tota, Zungão, Sérgio Paes, Claudinho do Queijo, Jota Martins, Jota Augusto, Samuel Ferro, gente que ama o manto do Noroeste! Essa garotada geração Playstation “paga-pau” dos craques de alguns jogos deveriam procurar no YouTube por Ademir da Guia, Ailton Lira, Pedro Rocha, Carlos Roberto Palito, Clodoaldo, Gérson, Lorico, Enéas, Rivellino e um tal de Pelé! 

O Esporte Clube Noroeste nunca será Barcelona enquanto for refém de um esquema típico de permanência na Segunda Divisão e venda de atletas para fazer caixa. No entanto, o Norusca tornou-se uma antítese, se saírem Damião e sua prole e trupe, quem assumirá o Vermelhinho? Entretanto, camisa de time como o Noroeste não é para ser goleado por Penapolense que, com todo o respeito, quem é Penapolense? A diferença entre o Esporte Clube Noroeste e o Barcelona, talvez de anos-luz, nem explicada pelo professor de Física Maurício Quagliato, é o tal de planejamento, pois em 2009 o Norusca foi goleado pelo Guaratinguetá de Luis Carlos Martins, Amauri Knevitz caiu e veio Luciano Dias, depois da goleada, para o prestigiado e famoso Penapolense! Amauri deveria ter caído e assumido Marco Antônio Machado, estaria o Norusca na Elite. Quem subiu? O São Bernardo, de Luciano Dias, técnico de segunda para ascender à primeira, mas nunca técnico de primeira!
Pep Guardiola, venha para o Norusca, aqui há uns 1.500 torcedores a te esperar! Augusto dos Anjos, segundo os professores de Literatura Giba, Gatti e Luiz Vitor Martinello, não tinha time, mas conhecia o futebol: “A mão que afaga é a mesma que apedreja!”. Ah, o Tavinho passou no Calçadão e comprou uma camisa do Chelsea e uma do Bayern. Sabe como é, sempre é bom comemorar títulos!

SINUHE DANIEL PRETO

Celulares-tronco!

Publicado em 13/11/12

A amiga encontra a outra amiga à porta do elevador do prédio e diz que tem muitas novidades para contar, a outra que não é a outra fala para ela “entrar” no MSN para conversarem, mas não estavam próximas,não poderiam fitar-se, talvez se abraçarem, quiçá chorarem um único pranto solidário?


Há tempos, as redes sociais “fisgam“ peixes que Luiz Capelin, Carlão Hobby Foto não pescariam! O ser hum ano não quer mais ser, ele virou um e-mail, uma mensagem que nunca escreveria Fernando Pessoa e seus misteriosos e raros heterônimos! Como pode o goleiro colocar o celular ao lado do gol no seu momento semanal de lazer? Para um médico seria uma obrigação, um capitão que comanda o policiamento,um juiz, mas um indivíduo "normal" tornar-se escravo do celular?

Houve tempos em que a família ouvia unida uma música no carro e cantava num tom somente tom, eram gostos diversos, mas respeitados! Atualmente, cada um coloca seu fone, aliás tem cada tipo, e ouve suas preferidas melodias, a conversa no veículo tornou-se diminutos acordes de espécies várias que não seriam reconhecidos nem por mestre Paulo Villaça! “Quem canta seus males espanta” virou  "Antes só do que mal acompanhado"?

No restaurante,na pizzaria, as pessoas fingem estar juntas,mas estão dedilhando seus celulares, “ facebookando “frases que Machado de Assis, Camões teriam inveja: “Jantinha com a família!“, “Meu pai pediu aliche, credo!“ , “A noite está massa!“ e a maioria ainda culpa o Caio Fernado Abreu! Pobre nobre poeta! E na sala de aula? Aula preparada sobre análise sintática, o professor, um sujeito inexistente, o aluno,sujeito composto,dois núcleos: seu celular e ele,resultado: a sociedade acolherá um sujeito indeterminado!

No elevador,as pessoas frequentemente diziam aquelas novidades: “Calor,hein?“, “Será que chove?“,  "Foi ao mercado?", agora nem isso, dedilham seus “Is“, leia-se “Ais“, não, não é interjeição, é o início do nome mais comentado, um aparelho novo tipo para se tornar um tipo tipo assim, entendeu? É tudo culpa do Steve Jobs, mas está perdoado, fez “Toy Story“, os brinquedos não usam os “brinquedos“ preferidos dos “bonecos“ de nosso mundo, também pudera Jobs tem trabalho até no nome, no entanto, antes de, infelizmente, falecer, o que disse o cérebro da Apple: “Não queira ser o homem mais rico do cemitério!“ 

Às pessoas que não querem ser seres, recomendo-lhes livros, risos sem siso, abraços com laços,gestos confessos, beijos e desejos, caso queiram e possam pessoalmente, se é que ainda bem e normal soa ser pessoa!

SINUHE DANIEL PRETO

Doutor, eu não me engano, meu coração é palmeirense?!

Publicado em 03/04/12

A manchete do JC da sexta, 30 de março, estampava: “Morador de Bauru recebe coração de palmeirense agredido, mas não resiste.”  E a matéria de capa continua: “Corintiano fanático, o gerente da Telefônica, Maurício Taveira, não resistiu após receber o coração do palmeirense José Guilherme Moreira ...” Os opostos se atraem? Contraem-se? Solidarizam-se? 


Pesares, profundos pesares à família de Taveira, mas o que diria o fanático corintiano a Maurício em vida? “Pô, você recebeu um coração de palmeirense,um coração de “porco?” Não, a única coisa desse ato que não se pode chamar assim foi o “espírito de porco”, o mundo é de homens, solitários, solidários, sofredores, torcedores, opostos, dispostos, próximos, distantes, fanáticos, simpáticos, antipáticos!

Há tempos, achava que um corintiano era meu inimigo, um rival, alguém a ser ignorado, isso me rendeu discussões sem fundamentos, perdas de grandes amizades, olhares desconfiados sobre a minha futebolística identidade. O fanático é, antes de tudo, um cego, um alienado, um único no meio do grupo! No último domingo, mais um dérbi foi realizado, jogo sem igual, Palmeiras e Corinthians, clássico clássico de todas e raras classes! Como de sempre, virada, discussão, promessa de revanche, estádio, desconfiança, heróis, vilões, mas quem venceu a alegria ou a violência?

Até quando, o sufixo “cida”, “aquele que mata”, servirá para o léxico torcida? Sim, será que torcida é aquele que mata outrem por futebol, é mesmo o futebol o pano de fundo? Acredito que não, isso envolve a desigualdade social, a violência pregada por meios que não justificam os fins! Em outros idos, já fiz parte de torcida chamada organizada, “distorci” da chamada, somente chamada, organizada, porque vi violência, um jogo no extinto Mário Alves de Mendonça, em Rio Preto, Palmeiras e América, um garotinho com o pai adentrou o estádio com a camisa do São Paulo e teve sua camisa arrancada e queimada. Ali, vi o que era esse mal que não torce para a instituição, mas tem como alvo seus interesses com um time de fantoche!

Já votei em Serra por ser palmeirense, já não votei em Lula por ser corintiano, é essa a política? Por que esses pseudotorcedores não vão a Brasília pressionar os “podres poderes que dominam há zil anos”, como diria Caetano? Em 2002, o Palmeiras caiu para Segunda Divisão do futebol brasileiro e o Arcebispo corintiano Dom Evaristo Arns lamentou ao questionar a quem o Corinthians iria enfrentar?         

Sou palmeirense com espírito corintiano, isso eu encontro no meu “Peba”, o Esporte Clube Redentor, lá encontro os corintianos Biro, Tiganá, Edsinho, grenás, verdadeiros torcedores roxos! O “Peba” perdeu duas finais para o Beija-Flor de Osmarzão e alguém se matou? Não, choramos,culpamos o árbitro,mas respeitamos o gigante tricampeão! Isso é futebol, não marcar encontros desencontrados visando à morte,como diria a inteligentíssima Cecília Meireles: “Abre o túmulo e dize-me: qual de nós morreu mais? 

“Quem morre é o futebol, a arquibancada virou poltrona, o grito de gol virou um controle, o craque virou uma peça no tabuleiro,o futebol começa depois do “Faustão” ou às quartas depois da lei do silêncio, como gritar gol na lei do silêncio? É a globalização! Serei sempre o esporte, palmeirense com Corinthians, ainda que com despeito ou respeito, já que “Palmeiras não perde,é roubado!” Como diria Milton Neves: “Futebol é só a coisa mais importante entre as menos importantes!” 

Em tempo, que o Norusca suba, apesar dos torcedores de poltrona, que somente irão ao Alfredão contra os chamados “grandes”, que Bauru seja sem limites para torcer sem distorcer! Assista ao filme “Boleiros” e tente entender o impossível, o futebol! P.S. No último domingo, enviei ao amigo e corintiano, ninguém é perfeito, Jabbour, um texto com saudades de Chico Anysio, “É mentira, Terta?” E mencionei errado o nome do senhor João Carlos Travain, a quem peço desculpas, não era ideia tratá-lo como Coalhada, aliás, Coalhada era uma homenagem e não um destrato, falei do João Carlos errado, o certo era o João Carlos Facioli, que era goleador e que quando perdia gols era chamado pela minha torcida formada de trinta testemunhas, a Inferno Alvirrubro como a criatura de Chico. Em tempo, João Carlos Facioli é meu ídolo, após o gol contra o Flamengo de 78, é uma honra vê-lo por aí, senhor João Carlos Travain, desculpe-me e nunca mais citarei seu nome! O futebol já foi uma caixinha de surpresas!

SINUHE DANIEL PRETO

Um Bauru completo, por favor!

Publicado em 10/06/12

O que teria previsto Nostradamus para a cidade de Bauru? O fim do mundo passa por Bauru? Ser nostálgico é ser trágico, saudosista é ser pessimista? “Batista-se “ ainda ou não? Somos ainda o coração de São Paulo? Por que Bauru é um “cidadão” antes de ser cidade? Orgulho-me de ser bauruense, digo sempre que sou “bauruísta”, meus filhos nasceram nesta Sem Limites de que também me orgulho e espalho a quatro cantos! Quando reflito sobre Bauru nunca chego a uma conclusão, Bauru cresceu demais sem planejamento ou Bauru nunca mais cresceu? Não há dúvida de que os mandatos anteriores a Tuga e a Rodrigo Agostinho foram pífios, péssimos, mas por que a cidade fenece, não cresce, mas prevalece?


Por que não há projeto algum dos vereadores para o “elefante branco” Maksoud, para uma avenida de verdade na Rodrigues Alves, para uma pista de skate tão clamada pelos “rebeldes com causa” Júnior e Tadeu, da 109 Skate Shop, Faculdade de Medicina é remédio certo? Excetuando-se Paulo e Thiago Neves, há projeto para um teatro que possa exibir “Vermelho” dos pai e filho Fagundes ou alguma peça que não pregue peça de Selton Mello ou Wagner Moura? A veia artística virou uma Standuplândia! Creio que seja fácil desejar “merda”!

Metaforicamente, Bauru ostenta raros e caros (queridos) algures (alguns lugares) que nos seduzem e induzem - o Zoológico de Luiz Pires, o Centrinho, a Beneficência de Adriano Gonfiantini, a Unesp, cujos alunos e seus projetos são elogiáveis! Aliás, quando os alunos dessa universidade projetam auxílio ao Vitória Régia é emocionante e é Bauru! Será que não é esse o caminho? Começar todos os projetos com a união de todos nós, limparmos bosques, administrarmos estádios distritais, falarmos bem de Bauru, apesar de males que nos afligem? Como o Centro Espírita Amor e Caridade construiu um novo albergue? Com a ajuda do deputado em que poucos votaram nesta cidade, Arnaldo Jardim, os outros preferiram Tiririca, que não sabe soletrar Sem Limites!

A revista Isto É lançou nesta semana uma edição especial sobre cidades para se investir em imóveis e, para minha frustração, nossa Bauru não consta na capa, até quando? Quem sabe o Renato Zaiden elabora outra ação como outrora para que esse melhor mundo do mundo, chamado Bauru, um projeto que detenha as atenções de investidores como Divaldo Disposti, que poderia ter ido a outros topônimos, mas mostrou ser o cidadão bauruense de sempre e gerou o inédito rebento, o Shopping Nações! “Hoje é domingo. Pede cachimbo. Cachimbo é de ouro. Dá um estouro. Touro é valente. Bateu no tenente. Tenente é fraco. Cai no buraco. Buraco é fundo. Acabou-se o mundo! “Não, não se acabou o mundo, um Bauru completo, por favor!”

SINUHE DANIEL PRETO

"A gente lê Wando!"

Publicado em 12/02/12

Na última terça-feira, as calcinhas trajaram preto, morreu Wanderley Alves dos Reis, o Wando! O brega verteu lágrimas, a “Moça” chorou “Coisa Cristalina” e era de “Fogo e Paixão”! Por que somos bregas não confessos e escondemos a sete chaves esse traço? Por que dizemos que estávamos “correndo” os canais da TV e , sem querer, passamos a ver Ratinho, TV Fama, Raul Gil, Superpop, Datena, Faustão, BBB, Gugu se, na verdade, agendamos até o horário do despertar e viramos garotos e garotas de programação?


Wando era isso, vejo-o como a camisa que ninguém quer usar, mas admira-se quem usa, que canta e encanta pelo apelo do brega, o cara que comia pão com mortadela e tubaína, fazendo charme de caviar com champanhe! 

Esse cara mordia a maçã tentação derrubando tabus, ele tornava as mulheres Evas sem culpa e essas fêmeas passavam de meras costelas a rainhas dos prazeres, das tendas dos prazeres!

Wando era a figura do anacoluto, “Quem ama o feio, bonito lhe parece!”, o ioiô deixou de ser brinquedo e passou a ser a musa. Nem Freud explica!

Quantas vezes cantei no carnaval do BAC com a Turma da Banda de Sassi e Tuba “O importante é ser fevereiro” achando que era de Jair Rodrigues, mas era do Wando!

Gilliard, Peninha, Reginaldo Rossi, José Augusto, Amado Batista, quantos bregas que se tornaram clássicos?

Por que posamos de cultos, mas idolatramos esses comuns? O pinguim na geladeira, a garrafa com água em forma de abacaxi, a vitrola, o Bombril na antena, a calça boca de sino, creio que Wando nos resgatava a esse universo, somos nostálgicos, somos nevrálgicos, somos bregas!

Compram-se as ideias do brega às escondidas, “Sozinho” ficou chique na voz de Caetano Veloso, mas é de Peninha! “Ai se eu te pego” é de Sharon Acioly, mas o sucesso é de Michel Teló! 

Quem sabe Wando vira nome de rua, é homenageado, é reverenciado, sem ser chamado de brega! Eduardo Dusek disse outrora que o brega é chique, nome de novela Global, quem sabe gravam um sucesso em homenagem ao Wando das calcinhas: Ai se eu te Brego! Descanse em paz, rei das calcinhas, dias de “raio, estrela e luar”!

SINUHE DANIEL PRETO

Refém-nascido!

Publicado em 26/07/12

Sigmund quer nascer, mas há um protocolo, sua mãe, Sebastiana, dá à luz num hospital sem gerador, à luz de velas, um jantar francês não seria tão sorumbático, ao nascer e ser ser apelidado de “Sig” pelos entes e parentes, carece o efebo de um registro, isso custa, às custas do povo, Sigmund ou Sig segue sua sina! Sebastiana, mãe de Sig, vai ao mercado, o preço da fralda é maior que o do leite, que, às vezes, tem que tirar da pedra, que é crack, mas não importa: “Fumar é prejudicial à saúde!” Sig vai à escola, o material escolar é parcelado, mas se leva agora, porém, pode não ter aula, o material humano perdeu para o material materialista. Ele não conhece a professora, a maçã que levara é doada à madrasta da Branca de Neve, virou maçã do amor que engorda e promete cáries! Agora, o filho da Sebastiana vai trabalhar no supermercado e disseram-lhe que a sacola é descartável, já recolheu muito material com esse nome, aliás, se identificou com esse adjetivo em relação à sua vida, descartável! Sig foi à noite e conheceu gente do bem e dos bens, ele viu que o carro que se compra não se estaciona, não há lugar para tal façanha, há “flanelinhas” que cobram um preço que o vendedor de carros não avisou! O carro de Sig que não é dos bois, nem da “Conversa de bois” de Guimarães Rosa, pagará impostos impostos pelo mesmo pessoal que não comprou gerador, que cobrou o registro, que não viu o crack, que vende fralda, que reproduziu os “flanelinhas” e que nunca tem nada com isso, assunto descartável! 


Em sua primeira viagem, mesmo não sendo marinheiro de primeira viagem, Sigmund ou Sig transita o estado em mau estado e paga a um pessoal que pede ágio, unindo-se, formaram o pedágio. Sig paga com uma nota de cinquenta, a moça do pedágio pergunta se ele não tem trocado, com a negativa dele começa a olhar a nota contra a luz, como se fosse o dinheiro do mensalão, de Cachoeira, ele, o filho de Sebastiana, se constrange, dinheiro, pra que dinheiro? Sigmund descobre a rede social e encontra amigos no www.faccaodotempo.com, pensa e compensa no mundo, no entanto, é vítima de um sequestro-relâmpago, ao voltar nu e cru ao lar, lê “Poema tirado de uma notícia de jornal”, de Manuel Bandeira, e pensa em ir-se embora pra Pasárgada!

SINUHE DANIEL PRETO

Não existe esporte em Bauru!

Publicado em 01/11/12

Criolo, garoto periférico, que virou pop estratosférico, disse que “Não existe amor em SP”. Se o poeta profeta marginal, que vive às margens nem tão plácidas, habitasse esta terra do sanduíche diria: não existe esporte em Bauru! É preciso fazer esporte em Bauru, não se pode discutir somente o preço do xadrez, deve discutir-se o preço do investimento para que muitos à margem não se encaminhem para o “xadrez”! Esporte é vida, a Sem Limites há tempos ocupa posições pífias nos Jogos Abertos do Interior! Trabalho dá trabalho, que o diga Vitor Jacob e sua insistência no esporte da bola ao cesto!

Como pode uma cidade com três faculdades de Educação Física não ter projetos de esportes nas periferias ou em quaisquer centros? Quais as revelações esportivas de Bauru, com exceções em esportes elitistas? Fui outro dia ao estádio distrital do Núcleo Gasparini, abandono total, quadra sem traves, matagal por toda parte, sabe como um morador definiu o estádio? “Gasparzinho”!

As pessoas que moram lá no bairro, como a cúpula diretiva do 100% Gasparini, só querem esporte, querem ser felizes, aspiram a dias esportivos, uma quadra, um curso de basquete, de vôlei, será que não há estagiários de Educação Física nesta terra? Que benefícios os Jogos Abertos trarão para Bauru? Será mesmo a largada para uma cidade esportiva, haverá novos valores revelados, pode sonhar-se como uma pseudo São Caetano? Que projetos serão traçados? Por que verdadeiros seres do esporte como Artemio Caetano Filho, Simone Bighetti, Vítor Jacob, Eduardo Mauad, Gilmar Barros e outros que ainda vou lembrar não são convidados para formar um esquadrão, um projeto de esportes para esta sanduichesca cidade?

O esporte da cidade caminha somente com as “pernas” de empresários, não existe vôlei sem a Iesb-Preve, não existe basquete sem a agora Paschoalotto, e o futebol sem Damião Garcia sobreviverá? Tem que sobreviver, os homens passam, o Esporte Clube Noroeste fica, não se devem aceitar aventureiros, o Norusca é história e não conto de fadas! Em 2001, onde estava o Esporte Clube Noroeste e suas glórias? No Fortaleza Atlético Clube, quem foram seus redentores? Leonardo de Brito, Celso Zinly, que trouxeram Damião Garcia e seu metal precioso, houve uma revolução vermelha e branca!

O momento atual é outro, quando os shoppings, supermercados da cidade resolverão investir no Esporte Clube Noroeste, no mínimo vender ingressos a seus funcionários e clientes? Não há projetos, o marketing do Norusca não funciona, veja o caso de quem vende a marca, veja o que se tornou o irmão de data e história, o Sport Club Corinthians Paulista! Lojas por toda parte, a marca fortalecida, aí muitos dirão: “Você não quer comparar o Noroeste com o Corinthians, não é?” Com as devidas proporções, sim! É possível fortalecer a marca, Caio Coube, Vinícius Coube, Toninho Gimenez, Euclides, Wagner Jacob iniciaram isso antes do Palmeiras-Parmalat e vaticinaram à época que seria a única saída para o nosso trem vermelho!

Esta fala é de um torcedor que ama Bauru e implora, por favor, Rodrigo Agostinho, coloque no esporte quem ama esporte, cobre projetos esportivos, elabore parcerias com as faculdades de Educação Física de Bauru, chame esses cidadãos dignos que restauraram o Vitória Régia para sugerirem algém que respire, inspire e aspire a esporte! Nessa toada, seremos uma terra de ex-porte! E aí, nem Criolo poderá negar que existe esporte em Bauru!

SINUHE DANIEL PRETO

Minha terra só tem Palmeiras!

Publicado em 25/11/12

O silvo onomatopaico do metrô antecede a voz misteriosa e sem rosto: “Próxima estação: Palmeiras - Barra Funda!” Um dos usuários a quem penso matar vocifera: “Palmeiras barra afunda, chora, Porco!” A cada domingo, a cada quarta, a cada rodada, a iminência da queda! Piadinhas ininterruptas, já usadas com o rival Corinthians e outras inéditas. O Palmeiras caiu! 


Uma década depois, o maior campeão nacional é rebaixado à segunda divisão do Campeonato Brasileiro! É triste demais, penso nas crianças zoadas nas escolas, nos clubes, nos idosos que viram Ademir da Guia e hoje veem o Márcio Araújo, o Luan... No entanto, quem ou o que caiu? A história do Palestra Itália, a savoia, a tradição? Não, caiu um emergente e, às vezes, indigente Palmeiras! 

Tornei-me palmeirense aos nove anos por influência de um cunhado, o Bertinho Monteiro, o melhor protético de Bauru, o Bertinho do Araruna! Certo dia, Bertinho polia uma dentadura, derretia cera em seu laboratório residencial na Marcondes Salgado, quadra 11... Ele me olhou com o mesmo olhar de amigo, fiquei pasmado com uma flâmula da Sociedade Esportiva Palmeiras. Perguntei-lhe sobre o pequeno pendão e ele me falou que era o Palmeiras.

Com o passar dos anos e nem tantos títulos, tornei-me fanático! Você sabe o que é ter uma escova de dentes, toalha, camisetas em geral, cuecas, rodinho, abajur, tão somente tão verdes? Nos meus aniversários, a maioria dos presentes era Palmeiras. Totalizei uma vez a soma de 22 camisas do Verdão, vi o “ Periquito “virar “ Porco “... 

Em outra ocasião, conheci na Chácara de Osvaldo Vilani um dos meu ídolos, Jorge Mendonça. Ele não acreditava que eu sabia de cor e com detalhes a maioria de seus gols com o manto verde! Hoje, ele joga no céu com Jairo Mendonça e, agora, com Dedê, zagueiro do Norusca - que perda, meu beque das pernas tortas. A única prioridade diante do Palmeiras é a minha família, essa equipe nunca cai! Palmeirense de verdade, faço-lhe um apelo: coloque o manto verde sempre, orgulhe-se de ser Palmeiras. 

Quanto aos rivais, nada o somos sem eles: “A mão que afaga é a mesma que apedreja”. “E, palmeirense, nunca esqueça: “Palmeiras não perde, é roubado! “

SINUHE DANIEL PRETO

“É mentira, Terta?”

Publicado em 25/03/12

Mário Quintana disse que “A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer!”. gostaria de que fosse mentira a notícia de que Chico Anysio faleceu nesta sexta-feira. O multiartista foi-se e quem viver não mais o verá. O outono trouxe a brisa, o esvair das folhas e aquele gélido sentimento de saudade!

Sempre acho que sou professor, comunicador, enfim, aquele que anseia por uma plateia e, se é isso, devo a Chacrinha, a Sílvio Santos e a Chico Anysio! O mundo é locução, pois sempre estamos clamando por algo! Somos seres inconstantes, múltiplos e únicos e isso Chico foi como ninguém!

Raros fizeram humor como Chico, o que se faz hoje é o escracho, quem não se lembra de Pantaleão e suas histórias que lembravam as dos pescadores sempre com um final utópico e com o endosso de sua companheira, Terta? Quem nunca teve medo de ser chamado de Pedro Bó na escola ou em uma roda de questionamentos? Chico era a face oculta do sujeito composto! 

E o “craque Coalhada”? Quem nunca quis ser um talentoso jogador de futebol e foi chamado de Coalhada e teve uma tremenda frustração com isso? Lembro-me de 1978, com o nosso Norusca disputando o Brasileirão e João Carlos Travain, o homem do gol único e da vitória contra o Flamengo do “Galinho”, aquele dia sem Zico, sendo chamado de Coalhada quando perdia gols? E Bento Carneiro, vampiro brasileiro, bem antes da febre de Crepúsculo? E frases como: “Sou, mas quem não é?” Chico ditou o universo linguístico por muito tempo nos lugares-comuns, parafraseou os Novos Baianos e criou em Chico City com Arnaud Rodrigues, parceiro morto em 2010, Baiano e os novos Caetanos, não entendi de prima o que era aquela tal “Vô batê pá tu”, linguística pura antecedendo aos Tribalistas! Coisa de gênios, geniais, geniosos!

Chico teve o universo antitético de suas conquistas fêmeas, de Alcione Mazeo a Zélia Cardoso, nem Alberto Roberto conquistaria tal harém, o galã que contracenava com Lúcio Mauro, entre outros, era o belo que todos os homens tinham e têm dentro de si.

Os jovens devem se lembrar mais da Escolinha do Professor Raimundo. Ali Chico deu emprego a amigos que, sem guia, beiravam a guia e com o monstro criador e criatura emergiram! As faces de Chico não têm um rosto que evidencia caras, Anysio nunca foi Chico, o mundo é Raimundo, o leite das crianças virou Coalhada, Bozo carecia de ter conhecido Bozó, Santoro devia ser mais Alberto Roberto, o crepúsculo é Bento Carneiro, a selva chora por seu Pantaleão. É mentira, Terta?

SINUHE DANIEL PRETO